terça-feira, 8 de novembro de 2011

nossa luz



Hoje o sol nasceu. É possível que ele volte amanhã. Mas e se não voltar?... Não vou permitir que o último raio a brilhar não me atinja. Quero que ele reflita por todo meu corpo, que aqueça e traga a felicidade estampada em meu olhar até que ele me cegue e faça com que eu vá além da simples visão humana. Quero ser sol, quero reluzir, quero iluminar sua vida para que a vida continue a reinar. Quero que sua retina seja minha bússola e ajude a me guiar por esses caminhos tortuosos. Quero segurar nas mãos que não pedem para confiar, mas só assim vou acreditar que o destino incerto vai nos levar justamente onde nossa amizade possa se surpreender no que nunca enxergamos. Imagine quantos sentimentos juntos no adormecer desse último raio de sol.

Dedico aos meus amigos de uma vida ou um dia.

Bruno Tadeu Lopes

sábado, 5 de novembro de 2011

para dentro dos seus olhos



Quero ver dentro dos meus olhos
Pelo reflexo do espelho que quebrei
Para detonar essa falsa alegria
Da sorte que sorriu sem parar!
O dia levantou com cara de babaca,
Acordando toda gente.
E eu fui um passo, dois, sem conseguir mais parar.
Olho para trás e já não vejo mais você.
Por que eu quis ir tão longe,
Sem dar a mínima chance de te conhecer?
Eu não quero mais parar!
Eu sei que o caminho pode ser solitário,
Mas eu consigo voltar para te buscar.
Não vá se perder enquanto eu não consigo deter meu destino
E sorrir para dentro dos seus olhos como um dia desejei.
Meus sonhos não se prendem na noite
E eu voei para fora do corpo onde só minha mente pode chegar.
Veja que na segunda alternativa você também poderá.
Não vá se preocupar com o que vão dizer,
É por você!
Não enxugue a lágrima,
Não confunda quem vai sair perdendo nessa ilusão,
Quando tudo que faz é mostrar-se
Para além do que ele foi capaz de te amar.

Bruno Tadeu Lopes

terça-feira, 1 de novembro de 2011

convescote



Não pense que vou me afastar do mundo.
Ele já se perdeu.
O meu segredo não desvendou coisas óbvias
E agora corro sem caminho
Para onde todos poderão ver.
Mas não pise na grama,
Pois meu jejum veio num convescote de fartura.
Não é preciso permissão para se entregar
E por isso caí tantas vezes esperando uma cama elástica no fundo do poço.
E não pense que é fácil retornar para onde há luz em outros olhares.
E não pense! Não pense...
Esqueça e eu esperarei cair em esquecimento.
Eu vou fechar a passagem dos sentimentos.
Só não tenho capacidade de trancar por definitivo, infelizmente.
A minha força se esgotou e agora preciso recuperar em minhas fraquezas.

Bruno Tadeu Lopes


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para Casar (solidão é uma vida de paixões ardentes)


Não são os matrimônios religiosos
Nem mesmo a necessidade de jurar a lei dos homens em cartório.
É essa paixão ardente e desapegada pela vida que me consome diariamente.
O descontrole dessa necessidade de amar pode ser o que mantém viva a esperança de um dia acordar.
Afinal quem são essas tais para casar?
Elas já estiveram por perto a me perguntar
Se é possível não nos preocupar,
Pois o futuro existirá para planejar?
Pelo pouco que me conheço posso arriscar dizer,
Quem sabe até gritar,
Que passarei pelos meus tempos sonhando que vou te encontrar.

Bruno Tadeu Lopes

Everlong - Foo Fighters | Online Karaoke

domingo, 3 de abril de 2011

Flor de Mururé



para Rafaela Palmeira,
que na distância da vida
me ensina o oposto

Na vontade de seguir, a distância.
Mas por um instante apreciou a eternidade.
Na expansão da simplicidade fez possível sorrir.
O que é de mais lindo na natureza mergulhou em teus sonhos,
Revelando a verdade flutuante de um rio.
Na margem de sua face contemplo a flor
Que desejando a vida encontrou na distância
A vontade de seguir.

Bruno Tadeu Lopes


radiohead - creep | Upload Music

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Confete no céu de fevereiro


Iluminando a fantasia
O dia se inicia
Na avenida fervente
O bloco anuncia
A vida é logo à frente
Havia nisso toda folia
O sorriso abre enfeite
Batucando sua alegria
Colorido, colorido
Jogue ao ar a luz do dia
Celebrando até o fim
Quando a Quaresma anuncia
Suas cinzas convertidas
Na mudança de vida
Caindo do céu
Confetes
Nas lembranças de nossos dias

(Bruno Tadeu Lopes 14.fev.2010.)

abrindo-se em caminhos remendados


Help! - Caetano Veloso (The Beatles) | Musicians Available
para Priscila Blake
A seqüência é vivida. Somos nós. Poderíamos interrompê-la, mas por algum motivo preferimos seguir todos os dias na esperança de... Acho que já foi dito. Não existe retorno nem remendo. E no final da corda seu laço não enforca nem condena. É este o breu em que podemos enxergar. E a tristeza só existe porque assim sentimos. A felicidade, ah, a felicidade... É feliz que nem sente. No leito do rio forma-se chuva para a vida, sua vida. Assim os sonhos virão afagar seus olhos toda noite.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

escrita torta



dessa vez foi demais - Eddie | Online Karaoke

Espere, pois já traço um risco sem dor.
Não fique vendo, meu público é íntimo em meu interior.
Só me diga uma palavra que salve, e segure esse papel de escrita torta.
A cadeira está infestada de noites pesadas.
Esses óculos cansaram de apoiar a visão distorcida do amor.
Agora já não sei mais...
Quem é o lugar sem destino?
Qual a sobra daquilo que não começou?
Basta!
Algo vai falar, alguém vai sentir, mas não importa... ou sim?
É de cá, não é estranho.
Sabe quando o sol reflete forte no muro caiado?
Parece que é ele se apoderando de toda a luz e... nada mais parece fazer se compreender. É tudo em meio do nada. É uma identificação que quebra o espelho para refletir além da própria imagem. Minha escrita não pode tanto quanto, sou egoísta, teria que não ser. Sabe aquela dor? Já não existe mais. Certo que virão outras. E quando chegar olharei para o muro e riscarei em papel as letras tortas, por ser assim, eu, essência de minhas palavras.

Bruno Tadeu Lopes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

diálogos perdidos na composição ermo


Agônico - Zé Ramalho | Upload Music

Seguindo em frente desembaraço meu cabelo na ventania das confusões.
Pedras são meus caminhos, pés descalços surgem carregando a dor das ilusões.
Minha boca blasfema obstáculos, salta o rio por contradições.
Caio no avesso do espelho d'água, refletindo o sol que se põe.
Sua luz é contra fluxo, me oponho às direções.
Mãos que enterram o jejum não alimentam meu perdão.
Minha fome é de pele seca e meus sonhos já não respondem; conscientes da requisição.
Para a morte não importa meu sim sem razão.
Seus meios simulam glória ao canto dos que louvarão.
Veja loucura no peito, em braço de sufoco renegando sua perdição.
Vivendo em jardim de parto que não semeia lucidez à paixão,
Invado ausência de tranca quando o fim do caminho não basta ao olhar de um glutão.

Texto: Bruno Tadeu Lopes
Música: Zé Ramalho
Pintura: Hieronymus Bosch (parte do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas")

sábado, 1 de janeiro de 2011

Hora de almoço




Verde - Projeto Peixes | Online Karaoke
para Midori Mizuno
Ao vigor destas flores que germinam no jardim de asfalto quente.
Neste frio que sinto antes de chegar ao sol.
Naquelas crianças que só brincam do outro lado da calçada
Ao som dos automóveis, acelerados motores.
Acalanto!
Aos pássaros que cantam nestes galhos secos,
Onde ficam as lembranças de um lugar que já frutificou.
Deixo aqui minha esperança fria
Ao sair e entrar
De um descanso do almoço quente.

(Bruno Tadeu Lopes – 13.08.2009)

sábado, 4 de dezembro de 2010

em algum lugar diferente


Paz

O estopim lança sua última centelha
A incandescência comove a visão do sofrer
As luzes de artifícios são soberanas
Sonhos sem segredo vão discursar
Os sons disparados já causam alívio
Almas blindadas, impossíveis de ferir
Flâmula dançante no topo da paz
Vidas e esperanças sucedem o fim

Expectativas

Insisto em ver a chuva cair
Janelas de crianças
Não há infância
Um tiro cruzou o ar
Meu peito disparou
Conformado mendigo
Dorme, dorme berço da rua
Cegueira sem dono
Automóveis de ninguém para seguir viagem
Na vida que não entendem
Preferem não sonhar
Os meus passos saem de órbita ou será o noticiário?
Os olhos que eram azuis agora escurecem meu olhar.
Será ainda possível compreender discursos fora do palco armado?

(Bruno Tadeu Lopes)

Janis Joplin - Get It While You Can

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sonhos são destinos sem partida

(música: Ode to My Family - The Cranberries)
feri tanto a solidão sem saber.
abusei de sua lealdade
fingindo amor que não poderia ter.
debaixo da janela escondi frases e mentiras.
provérbios deixei ecoarem,
ruas escuras,
becos sem saída.
lágrimas não são gritos,
beijos não são delírios.
poça seca,
esgoto fedido.
coração ausente a procura de carinho,
caminhos de ida,
refúgios,
andarilho.
mente sem destino,
mente sem motivo,
mente por mentir.
por que não te tenho aqui?
sem prazo,
veemente,
esconderijo em nossos olhos,
sonhos para fundir.
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você consegue me entender por estar tão longe?
sua visão se confundi com a luz do sol? (assim como eu tento te ver)
será possível ainda pensar com tantos questionamentos?
mas falta coragem para dizer uma única palavra sem sentindo para sua razão.
ou será só o começo com cara de fim?
é que a raiz já progrediu tanto, sem cultivar flores no topo do céu.
e seus olhos continuam trazendo nuvens
e eu... a passagem do temporal,
desejando que sua intensidade atinja meus sonhos,
corpo...
feito a mão que afaga o sono
sem ambição de despertar.

(Bruno Tadeu Lopes)


sábado, 16 de outubro de 2010

Agora Nunca Se Sabe


para Natália Bayeh
Agora nunca se sabe se o final está onde almeja minha visão.
Na profundeza desses olhos caio sem pudor em imensidão.
E se a verdade sai rasgando o céu, devastador é meu punhal.
Não enraízo em solo fértil palavras volúveis em meio ao vendaval.
Olho ao redor , sofro ausência e passagem,
Cá pra dentro sangue que transborda displicente a sua vontade.
(Bruno Tadeu Lopes)

sábado, 28 de agosto de 2010

Solidão


Ah, existência desse dia que me arranca cá de dentro essa agonia. Que me expõem ao sofrimento de uma noite fria na solidão maldita. Longe de ti, onde os pensamentos me espantam a alegria, imagino sua presença, seu perfume enlaçando nossos braços, encontrando nossa harmonia. Por que tão sozinho me quis esse dia? Tempo, sopre para longe minha tristeza e faça girar a bailarina.
Bruno Tadeu Lopes.

Salto No Vácuo Com Joelhada - Curumin | Music Codes

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Simplificando



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For No One - Caetano Veloso (The Beatles) | Music Codes
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Talvez não existam motivos, mas simplesmente nos ocorrem aparições avulsas de pessoas em nossas vidas, e damos-lhes algum significado para que possamos entender sua presença ou sua desaparição repentina. Não há de se espantar, não há de se magoar, mas deixar-se agraciar qualquer dúvida insistente, sabendo que algo existiu e complementou sua vida enquanto estiveram conectados por um laço qualquer de cetim. Mesmo se as lágrimas caírem, mesmo se o sorriso teimar não se abrir, ficarão armazenadas em nossa mente tudo que um dia foi possível e os caminhos novos que a partir dali surgiram, feito a aparição de uma miragem. Mas se você ainda não percebeu que não é mentira o que um dia esteve ao seu lado, mais complicado que alcançar suas saudades será pisar ao tapete que estende seu novo percurso. Desprezar a tristeza é impedir o significado da felicidade. Esquecer de viver para o futuro é inutilizar o passado. A vida é presença, é solidão, é continuidade, é terminação. Tudo em meio a multidão que vem e vai sabe-se lá para qual destino.

Hoje o sol saiu entre nuvens cinzentas. Eu olhei para o céu, senti o calor brilhar em meu rosto... e ri com os ventos frios. É tão simples ser feliz.

Bruno Tadeu Lopes

Foto: Luis Antônio Lopes

sábado, 14 de agosto de 2010

Infância da Alma


A vida é a infância da alma...Um pássaro que voa sem volta de estações


O texto abaixo é um comentário meu feito no blog Black & White da Mona Lisa para uma postagem dela (Isto Deixou-Me A Pensar...) do mês passado (Julho). Ao me responder ela diz que eu deveria fazer de meu comentário um post. Pois bem, aí está. Gostei da idéia e assim fiz.

O bom é que a inteligência nunca vai me cegar por completo, diferente da ignorância.
Sempre haverá um fecho de luz que me indicará onde ficam todos os medos, desvios e coragens bem iluminados... é só escolher. Quero fazer tanto, tenho mais sonhos do que deveria ser permitido, mas não tenho medo de revelá-los.
Tenho muitos motivos para me esconder, fechar os olhos e me perder em caminhos desconhecidos, sem saber para onde ir. Mas quero pegar o vento de frente, quero enfrentar a fúria de um mar se for preciso. Ampliar meu horizonte, minha cultura, minha inteligência, só ampliaram meu amor pela vida que terei. Saberei o que fazer, mesmo não sendo de imediato. Saberei qual caminho seguir, mesmo sendo muitos até o indicado a ser considerado como certo. E vou percorrer o máximo que minha alma agüentar carregar essa carcaça. Não vou me desorientar pois minha bússola fica entranhada em meus olhos.
“Mr. Play It Safe was afraid to fly”?!
Eu mergulhei no abismo para alcançar ventos intensos até um rio desgovernado. A selvageria da minha inteligência tornou tudo tão simples quando percebi a infância que é a vida. Um instante breve e necessário, onde não vejo tempo para o poder, para a guerra, só vejo certo um fim misterioso no sopro da tão sonhada vida. Vou voando como um pássaro, sem volta de estações. Sou como quem está encharcado no temporal e abre os braços para sentir toda a chuva escorrer pelo seu corpo.A inteligência me leva a extremos picos de satisfação. A vida será sempre incompleta, por isso não colocarei ponto final na minha história, sem medo de não concluir o que deveria ser feito, pois sou feliz.


As Chicas - Paciência | Music Codes


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Falsos Cometas


Hoje é como se o dia clareasse só para mim e me fizesse ver o tanto que a fiz sofrer.
Tudo foi tão breve que... não tive tempo de enxugar as lágrimas que você derramou, imaginando como seria se fossem todos estes falsos cometas transformados em um mundo, mobiliado para nós dois. Você queria me acolher, mas... no momento teu sonho tornara-se inalcançável, como a sombra do teu rosto para mim.

Bruno Tadeu Lopes (2005)
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É sempre nos teus cantos sonoros
Que eu bebo inspiração.
(...)
Donzela, esta vida
Se eu tanto pudera,
Quisera
Te dar;
Se um beijo eu pudesse
Ardente e fugace
Na face
Pousar.

Machado de Assis
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Dire Straits-Your Latest Trick


ilustração: Kelzinha Sharamor no Gartic

sexta-feira, 16 de julho de 2010

And I Love Her


Será que você nunca será capaz de acreditar na incerteza que sempre haverá diante dos nossos olhos? Ah, vida que me divide sempre em dois pontos! Fossem mil acasos não seriam tão intensos feito o brilho do seu olhar iluminando outra vida que não a minha.
Ainda assim removo correntes insustentáveis e sonho com você, sem pensar para onde devo guiar meus delírios, fugindo o risco de perdê-la em meus afagos. Certamente parece não ligar que seja pretensiosa esta inclinação escorrendo continuamente por trás de tantas palavras confusas, resplandecendo em pele fresca limites desmedidos sem eu mais poder negar o que nunca lhe disse pela insegurança de amar tanto.

(Bruno Tadeu Lopes)
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And I Love Her - The Beatles

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terça-feira, 13 de julho de 2010

Por Onde Não Se Vê


Por trás dos meus passos a poeira escondeu o que você falou.
Eu abro meus braços e me rasgo, pétala por pétala feito flor.
Um acontecimento não é o meu exato, não foi como você imaginou.
Não vá mergulhar em teus sonhos fotográficos e queimar tudo depois.
Ao conversar apague a luz e veja que a mágoa não se dissolve onde há dor.
O tempo nem sempre é passado, bloqueie o retorno onde você me encontrou.
Não são contos de fada, não faz mais sentido palavras descobertas no frio do amor.

(Bruno Tadeu Lopes)
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Boston(Acoustic) - Augustana

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Foto: Antônio Husadel
Modelo:
Patrícia Monteiro
Revista Nua

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Depois de 20 anos de saudades, Ezequiel Neves nos deixa para reencontrar Cazuza

Não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje infelizmente vai ser diferente. Na postagem anterior eu homenageei um ídolo meu e de muitos brasileiros, que nos deixou há 20 anos depois de lutar contra o vírus da aids. Mas agora nessa tarde recebo a notícia, junto com o Brasil, que a pessoa responsável pelo lançamento no mundo musical da banda Barão Vermelho e do ídolo referido, Cazuza, morre após luta contra um tumor no cérebro.

No site G1
Morreu na tarde desta quarta-feira (7), na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio, o produtor musical, compositor e jornalista Ezequiel Neves. Segundo a assessoria de imprensa da clínica, Ezequiel, de 74 anos, estava internado desde o dia 22 de janeiro para tratamento de um tumor benigno no cérebro. Ainda segundo a clínica, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.
Conhecido também como Zeca Jagger, o jornalista foi amigo e um dos responsáveis por lançar a carreira musical da banda carioca Barão Vermelho, do cantor Cazuza, e foi o empresário de Cássia Eller.
Foi com Cazuza que compôs sucessos como "Exagerado", que teve a participação de Leoni, e "Codinome beija-flor", que contou também com Reinaldo Arias. Cazuza faleceu nesta mesma data, há 20 anos.
Luiz Pissurno, que trabalhava como secretário de Ezequiel desde 2008, destacou a ajuda do músico Roberto Frejat, cantor, guitarrista e líder do Barão Vermelho, durante o período em que Ezequiel esteve doente.
“Se não fosse o Frejat, teria sido muito pior", afirma.
Ezequiel contou em uma entrevista para o jornal “O Globo” de 2008 que começou a carreira de produtor com uma banda paulista chamada Made in Brazil, em 1975. Em 1979, foi para a gravadora Som Livre, a pedido do produtor Guto Graça Melo
Logo em seguida ele saiu da gravadora, mas voltou, quando trabalhou com o Barão Vermelho. Na entrevista para “O Globo”, ele declarou:
“Em 1982 a Som Livre me contratou de novo. E caiu na minha mão — caiu não, eu roubei do Leonardo Neto (hoje empresário de Marisa Monte e Adriana Calcanhotto) — a fita do Barão Vermelho. O Leo e o Nelsinho (Motta) iam fazer uma coletânea. Mas depois de ouvir a fita do Barão eu disse: ‘Isso é um disco inteiro. O grupo é ótimo, é diferente.’ Eles tocavam rock de verdade. Era uma coisa muito violenta. E o texto do Cazuza, nunca ninguém tinha escrito daquela forma. Só que ele era filho do dono da empresa... A própria Rita Lee dizia: ‘O Ezequiel deu o golpe do baú, foi inventar que o filho do dono da empresa é cantor e compositor.’ Mas eu tava fazendo escândalo porque adorava!”

20 anos sem Cazuza


Cazuza morreu há 20 anos, mas continua entre nós. A prova disso está na canção inédita Você Vai Me Enganar Sempre II, interpretada por ele mesmo, no CD de George Israel.
Em férias sabáticas do Kid Abelha, o saxofonista do grupo, George Israel, chega ao terceiro CD solo, 13 parcerias com Cazuza. A gente sempre compunha e Cazuza colocava a voz. Por sorte do destino, consegui recuperá-la a partir de uma fita K7. Ficou um barato, comemora George. Ano passado, fui convidado para fazer um evento em homenagem ao Cazuza. Comecei a revirar o material que produzimos e tive a idéia do CD. Lembro que Cazuza me chamava de meu parceirinho. Ele era um elo que unia todos que o conheciam. E, hoje, continua juntando as pessoas, acredita. No CD George reuni convidados especiais. O show de lançamento foi no Canecão em maio deste ano.

Como nasceu a parceria com Cazuza e qual era o processo de trabalho de vocês?
_Amor, amor, com Frejat abriu a porta dessa parceria. Quando Cazuza saiu em carreira solo, me pediu uma música para letrar. Assim nasceu Solidão que nada. Brasil foi encomenda para um filme, e tem Nilo Romero como coparceiro. Depois, já estabelecida a parceria, recebíamos letras como Você vai me enganar sempre II. Aí, registramos num gravador de quatro canais a composição, já com uma idéia de arranjo. Graças a esse processo, ficamos com a voz de Cazuza nessa música, talvez única inédita com voz dele. Já 4 letras foi feita para o Ney Matogrosso, e a Lucinha Araújo me deu a letra, em 2004.
Como será o show no Canecão? Sente-se confortável como solista, após tantos anos de Kid Abelha?
_O show vem com muita história embutida. Será o mais importante que já fiz. Tem um conceito bem definido, com cenários, projeções(Luis Stein, Marcelo Linhares), direção(Pedro Paulo Carneiro), além das participações muito especiais e da banda que vem tocando comigo, que conta com o “barão” Guto Goffi. Provavelmente sairá em DVD.

Nos dizeres da música 4 Letras, a promessa do poeta cumprida: Um dia, quando você menos esperar, eu vou voltar cantando, como se nada tivesse acontecido...

Por Mylena Honorato - O Dia - 07/05/2010
Por E-Mail / George Israel – Jornal do Brasil 07/05/2010

Cazuza, por ele mesmo:
A minha música faz parte de uma história que começou quando o meu avô, dono de um engenho em Pernambuco, resolveu morar em cima do areal do Leblon (Rio de Janeiro), como terceiro morador da região. Ali nasceu meu pai, João Araújo, que se casou com uma moça linda, Lucinha, que cantava como um passarinho. Uma mulher que se tornou importante no cenário musical e que teve, numa das primeiras novelas da televisão, sua gravação da música "Peito vazio" (de Cartola) incluída na trilha sonora. Gostava de vê-la cantando e penso que isso influiu muito no meu futuro.
Meu pai também pesou muito. Ele sempre transou disco e, quando eu era menino, tinha a casa cheia de artistas. Eram cantores que chegavam e saíam o tempo todo. Conheci Elis Regina, os Novos Baianos, Jair Rodrigues, que gostava de brincar de me jogar para o alto, e outros cantores. Na nossa casa, se respirava música o tempo todo.
Aos 17 anos, comecei a descobrir que minhas poesias podiam ser letras de músicas, mas só assumi isso aos 23 anos, quando entrei no Barão Vermelho. Antes disso, procurei conhecer tudo sobre teatro, pois sabia que era um bom veículo pra me tornar cantor.
Cheguei a me empolgar no dia da estréia, quando o Léo Jaime, que também estava na peça, me falou que conhecia um grupo musical que estava se formando e procurando um vocalista. Era um tal de Barão Vermelho. Fui, no dia seguinte, ao encontro deles e minha história começou.
Pra compor, não planejo absolutamente nada. Acho que sou a pessoa mais desorganizada que você pode imaginar. Tudo me acontece de supetão, porque nunca sei como a coisa vai sair. Agora, quando a inspiração vem, sou caxias mesmo, muito sistemático. Quando sento à mesinha para trabalhar, faço mesmo. Se a idéia não pinta, puxo por ela até acontecer. Só sou disciplinado para trabalhar. Pode ser até as quatros horas da manhã. Mas se começo uma letra, ela tem que sair. Depois fico semanas melhorando as imagens, as rimas.
Em matéria de música, não sou nada radical. Mas foi com o rock que encontrei a minha tribo. De repente, fumei um baseado, saí na rua e vi uma porção de gente igual a mim. Soltei pipa e joguei frescobol ao som do rock. Era a liberdade, da mesma forma que o jazz foi pra geração dos 40.
Eu não pirei com os Beatles, não dava muita importância, via como uma coisa meio histérica. Mas adorava também. Cantava "Help!" numa língua que inventei… Só quando pintou Caetano com "Alegria alegria" é que achei aquilo moderno. Gal cantando "a cultura, a civilização, elas que se danem…" Macalé e a ‘morbideza romântica’ de Wally Salomão. Rock eu conheci mesmo através do Caetano e da Tropicália, Os Mutantes, Rita Lee, Novos Baianos. Com 13 anos, eu estava lá no pier de Ipanema; ficava de tiete, de longe, tentava apresentar uns baseados pra eles, mas ninguém pedia.
O Roberto Carlos também é uma pessoa importantíssima para mim, porque faz parte da minha infância. Eu cresci amando a Jovem Guarda. Outro dia, ele precisava do estúdio onde eu estava gravando, me ligou e disse: "Oi, meu Barão…" Eu respondi que não era mais do Barão, mas ele disse que vou ser sempre. E ele está certo. Eu vou ser sempre um Barão Vermelho. Ele é o Rei e me elegeu seu Barão.
O lance estrangeiro veio pelos Rolling Stones, mas quando a Janis Joplin morreu eu nem sabia quem era ela… Mas então um amigo me mostrou a Janis, que eu conhecia da televisão, entre uma novela da Janete Clair e outra. Tava assim:"Jimi Hendrix e Janis Joplin mortos por drogas." Para mim, aquilo era uma coisa horrorosa. Mas quando ouvi aquela mulher descobri que ela era genial. Aí eu entendi o que era o blues, e através da Janis descobri a Billie Holiday e mesmo a Dalva de Oliveira. Tudo aquilo que eu já curtia, mas que achava cafona. Aliás, sou cafona e assumo. Gosto de palavras como ingratidão. Sou meio Augusto dos Anjos:"Escarra na boca que te beija."
Enfrentar o palco para mim é tudo. Aflora um lado sensual meio incontrolável. Às vezes, entro de pau duro, a coisa pinta até antes de subir ao palco… Outras vezes, entro morrendo de medo, mas cantando solta a tensão. Sem brincadeira, é lance sexual mesmo. Sinto o sexo aflorando, olho pras pessoas e sinto que tem uma coisa também que volta em resposta. Porque estou mostrando uma coisa bonita que eu compus: não sou humilde, gosto mesmo do que faço. É muito o lance do prazer, eu e a platéia transando pra caralho.
Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim.
Por enquanto, o que me dá maior prazer além da música é o beijo na boca. Aquele lance do beijo que é o "fósforo aceso na palha seca do amor". O beijo começa tudo; é da boca que vem a relação… a primeira vez que se entra numa pessoa. Pra mim, é essencial. Sou capaz de ficar de pau duro se beijar alguém.
Eu fico feliz quando penso que o homem difere dos bichos e das plantas porque pode amar sem reproduzir - embora o Papa não goste disso. O homem transa por prazer. Então, pode ser homem com homem, mulher com mulher, com diafragama, com pílula, com o que for… Homossexualismo é assim uma coisa normal. E o hetero, e o bissexualismo. O homem pode amar independente do sexo, porque ele não é bicho, não é planta. Se o cara não quer, não sente atração, tudo bem. Mas não tem esse negócio de regra geral quando se fala de amor. Quando pinta tesão, estou com Tim Maia e Sandra de Sá: "vale tudo", mesmo!
A minha ideologia é a da mudança. Nada de partido político. É a coisa de mudar o Brasil, em qualquer dimensão.
Quando fiz "Ideologia", nem sabia o que isso queria dizer, fui ver no dicionário. Lá estava escrito que indica correntes de pensamentos iguais e tal… A música, por sua vez, é muito pessimista, porque, na verdade, é a história da minha geração, a de 30 anos, que viveu o vazio todo. É meio amarga porque a gente achava que ia mudar o mundo mesmo e o Brasil está igual; bateu uma enorme frustação. Nos conceitos sobre sexo, comportamento, virou alguma coisa, mas deixamos muito pelo caminho. A gente batalhou tanto e agora? Onde chegamos? Nossa geração ficou em que pé?
Pra mim, o patriotismo não é essa coisa símbolos, como a bandeira. Mexe muito mais com o sentimento. Quando me enrolei na bandeira, no Rock in Rio, eu estava acreditando. No Rock in Rio, cantei por dez minutos com a bandeira, sonhei, acreditei. Quando eu era adolescente, também acreditava. A gente não tinha descoberto a vaselina, o conchavo. Entrava com garra mesmo. Nem sei mais se essa garra existe hoje com os novos adolescentes.
O inferno é aqui. A cabeça da gente é um inferno. E essa coisa de "o inferno são os outros" não sei não… Pra mim, que dependo muito de amigos, de carinho dos outros, não vejo a vida contra alguém. O inferno é um baile de carnaval no Monte Líbano.
Sou muito animado pra sentir tédio. Sou animado à beça, qualquer coisa me anima. Se você me convida pra ir à Barra da Tijuca, eu já digo logo: Vaaaamos!!! Qualquer besteira me anima. Tudo que já passei na minha vida não conseguiu tirar essa animação.

"Homem que é homem volta atrás, mas não se arrepende de nada".
"Ser marginal foi uma decisão poética, mas foi o único caminho que tive."

Compilação feita por Ezequiel Neves e recolhida em entrevista às revistas ISTO É, PLAYBOY, AMIGA e INTERVIEW, no período de 1983 a 1989

"O nosso amor a gente inventa pra se distrair...”
Ao sair em turnê de lançamento do álbum “Só se for a dois” Cazuza já sabia que estava com Aids. Antes de estrear o show "Só se for a dois", tinha adoecido e feito um novo exame. A confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira.
Em outubro de 1987, após uma internação numa clínica do Rio, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, nos Estados Unidos. Lá, passou quase dois meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT. Ao voltar, gravou "Ideologia" no início de 1988, um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e pela sua definitiva consagração artística. O disco vendeu meio milhão de cópias. Na contracapa, mostrou um Cazuza mais magro por causa da doença, com um lenço disfarçando a perda de cabelo em função dos remédios. No seu conteúdo, um conjunto denso de canções expressou o processo de maturação do artista. "O meu prazer agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll", confessava ele, em "Ideologia". E: "Eu vi a cara da morte/ E ela estava viva", em "Boas novas". O show do álbum viajou o Brasil de norte a sul, virou programa especial da Globo e disco. Lançado no início de 1989, "Cazuza ao vivo - o tempo não pára" chegou ao índice de 560 mil cópias vendidas. Reunindo os maiores sucessos do artista, trouxe também duas músicas novas que estouraram: "Vida louca vida", de Lobão e Bernardo Vilhena, e "O tempo não pára", de Cazuza e Arnaldo Brandão. Esta - título do trabalho - condensou, numa das letras mais expressivas de Cazuza, a sua condição individual, de quem lutava para se manter vivo, com a do povo brasileiro.
Foi pouco depois do lançamento do álbum que ele reconheceu publicamente que estava com Aids, sendo a primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Era então notória -e notável - a sua afirmação de vida. À medida que seu estado piorava, ao contrário de se deixar esmorecer ante a perspectiva do inevitável, Cazuza, ciente do pouco tempo que lhe restava, passou a trabalhar o mais que podia. Entrou num processo compulsivo de composição e gravou, de fevereiro a junho de 1989, numa cadeira de rodas, o álbum duplo "Burguesia", que seria seu derradeiro registro discográfico em vida.
O trabalho seguiu um conceito dual - num dos discos, de embalagem azul, prevalecia o gênero rock; no outro, de capa amarela, MPB. Entre as suas últimas novidades, com a voz nitidamente enfraquecida, Cazuza apresentou clássicos de outros autores (como Antonio Maria, Caetano Veloso e Rita Lee) e duas músicas feitas com novas parceiras, Rita Lee e Ângela Rô Rô. A canção-título, com uma letra extensa atacando os valores da classe burguesa, chegou a ser tocada nas rádios, mas o álbum não obteve sucesso comercial e foi recebido discretamente pela crítica.

Burguesia
por Ezequiel Neves
Esse pode ser chamado de o disco da ressurreição. CAZUZA, já minado pela doença, provou que a pirraça era a forma de se manter vivo. Criava como um tresloucado, escrevia desbragadamente, aos borbotões. Mandava letras para Frejat, Angela Ro Ro, Arnaldo Antunes, Arnaldo Brandão, Joanna, João Donato e também as dava a quem fosse visitá-lo na Clínica São Vicente. E exigia que eles musicassem tudo em milésimos de segundos.
Nilo Romero e eu fomos sumariamente demitidos da produção, já em Recife, onde ele apareceu no palco pela última vez. Já de volta ao Rio, chegava ao estúdio da Polygram em cadeira de rodas, deitava-se num sofá e mandava ver. João Rebouças criava os arranjos e ele ia colocando a voz direto. Os técnicos da gravadora agiram de uma forma pavorosa. Como ele cantava deitado, os microfones eram colocados de qualquer jeito, como se cada dia de gravação fosse o último e que aquele disco não iria ser lançado nunca.
Era uma produção, digamos sem exageros, brutalista. Só encontro comparação em obras primas inaudíveis, como, por exemplo, Double Quartet de Ornette Colleman e Metal Machine Music, de Lou Reed. E as letras, repito, eram orgiásticas, haviam canções com 140 versos, tudo era fantasmagoricamente irracional, trovões e relâmpagos verbalizados numa linguagem devastadora. Era a própria urgência de cataclismas transcendentais.
BURGUESIA é um álbum-duplo com 21 pulverizantes faixas. Um registro que sempre valerá a pena ser relido por "seculo seculorum". CAZUZA assumiu e assinou, com garras e dentes toda a produção. Só mesmo ele teria culhões e honestidade para fazer isto.
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Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois - a 7 de julho de 1990. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua sepultura está localizada próxima às de astros da música brasileira como Carmen Miranda, Ary Barroso, Francisco Alves e Clara Nunes.

Eu sou mesmo exagerado/Adoro um amor inventado


http://www.cazuza.com.br/

terça-feira, 22 de junho de 2010

De Natura Tododia Verão até O Inverno. Passando por Arnaldo Antunes de encontro a Vivalde e suas Le quattro Stagioni



Uma compilação de leituras e conhecimentos. Fontes ao final da postagem.

Desde dezembro passado fiquei maravilhado com as propagandas da linha Natura Tododia Verão e vinha querendo postar sobre aqui no Fenda Flor, coisa que não aconteceu. Ontem, dia 21 de junho, começou o inverno aqui no Brasil e a natura lançou seus novos produtos para a estação seguindo a linha Tododia Inverno. Na linha Verão a propaganda vinha com um texto em forma de poesia concreta de Arnaldo Antunes, já na linha Inverno a narração segue a métrica de poesia que marcou as campanhas anteriores e as imagens são embaladas por uma releitura (puro rock’n roll) do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi. Caramba, eu adoro Arnaldo Antunes e adoro Antonio Vivaldi, logo adoro esses comerciais. Foram muito bem bolados. E agora vou compartilhar com vocês tanto a postagem do Verão quanto a do Inverno, passando por Arnaldo Antunes até Antonio Vivaldi.

Natura Tododia Verão
O comercial remete ao cotidiano rotineiro de se sentir bem ao se cuidar.
Ali se notava o Bem Estar Bem sugerido no slogan da Natura.
Entre os elementos que compõe o filme, a sonoridade do texto criado por Arnaldo Antunes(Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, 1960, poeta, escritor e compositor brasileiro)é singular.
A função poética clara do texto em forma de poesia concreta, que escorre pela tela e forma as sugestões de o que pode ser a tal rotina sugerida pela Natura, tornando mais concreto que a própria fantasia, o conceito de Dionisíaco desta análise. . Dessa forma, todo inicio é precedido por uma escolha, todo espelho remete a uma lembrança de tempos que passaram, toda dança é liberdade de expressão como o rock e assim segue, onde toda sensação de bem estar Natura, e uma quer estar ligado a outra numa subjetividade escondida em nosso próprio entendimento.
Ainda que surreal demais, não se pode limitar os sinais midiáticos a irrelevância de compreensão, uma vez que uma chuva de letras transcorre ao frescor sugerido, ao prazer do bem estar. É surreal justamente acreditar nessa chuva de palavras e, através disso, fixar o conceito de uma marca, e remeter o receptor desta mensagem a este frescor, a esta sensação de bem estar que um banho nos proporciona.
Nosso universo particular vale mais que palavras na imagem do espelho.
“A rotina do espelho é o oposto” é a primeira frase sem texto na tela, apenas narrada.
Sentir-se bem, é sentir-se como a modelo, que se olha no espelho e percebe uma beleza enaltecida pelo momento, ainda que se trate apenas de uma rotina, como sugere a propaganda.
“A rotina da pele é o arrepio”
Com certeza a frase que mais chama atenção no comercial. A imagem remete, no ato, a sensação que todos já experimentamos. Sua simples exposição nos remete ao fenômeno que a pele proporciona, por vezes num simples declínio de temperatura, e que aqui tem justamente essa função, nos levar ao momento pós- banho, de conforto e de liberdade.
A palavra desejo é, de certa forma, o pecado em forma de som.
Sentir-se bem é sentir-se desejado, é desejar com propriedade de quem pode e consegue, é querer, é conseguir... Desejar é sublime, é imortal.
A alegria nas curvas de um gesto mexe com a libido e transposta às pessoas para outro local que não um banheiro, mas sim o que o espera após essa rotina.
“Toda rotina tem sua beleza” O slogan que concretiza pensamentos de 30 segundos.
A idéia era mostrar que um simples banho pode ser especial se assim você o ver, o sentir, o aproveitar.

A alegria é a rotina do verão A ousadia é a rotina da invenção A brisa é a rotina da carícia A rotina da água é a delícia O encontro é a rotina da esquina A rotina dos olhos é a menina A sensação é a rotina do calor A rotina do corpo é o frescor A rima é a rotina da poesia A rotina da folga é o meio-dia A liberdade é a rotina de ser A rotina dos sentidos é o prazer


A idéia é a rotina do papel O céu é a rotina do edifício O início é a rotina do final A escolha é a rotina do gosto A rotina do espelho é o oposto A rotina do jornal é o fato A celebridade é a rotina do boato A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock O coração é rotina da batida A rotina do equilíbrio é a medida O vento é a rotina do assobio A rotina da pele é o arrepio A rotina do perfume é a lembrança O pé é a rotina da dança Julieta é a rotina do queijo A rotina da boca é o desejo A rotina do caminho é a direção A rotina do destino é a certeza Toda rotina tem sua beleza

Vídeo Versão 2 Natura Tododia, onde muda uma cena em "A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock".

Agência: Taterka Comunicações S/A
Trilha Sonora: Banda Sonora
Texto: Arnaldo Antunes
Locutor: Paulo Leite

Natura Tododia Inverno
Transformar a rotina dos dias frios, incluindo rituais de hidratação e bem-estar durante e após o banho. É com esse mote que a campanha da linha Tododia Inverno, da Natura, estreou com um filme de 30” no intervalo do Fantástico. Criada pela Taterka, a comunicação que tem como título “Vire a rotina do inverno do avesso” revela que essa estação também pode ser agradável para cuidar da pele.
“Descubra a poesia na sua rotina”, “toda a comunicação da linha imprime um novo significado para a palavra rotina”, afirma Eduardo Simon, Sócio e Diretor de Atendimento da Taterka.
A comunicação publicitária assinada pela Taterka traz filme com uma releitura do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi, além de anúncios de mídia impressa.
As peças serão veiculadas nas regiões Sul, Sudeste e no Distrito Federal. A campanha também estará em canais de TV paga.

Não se cubra, descubra Não embace, desembarace Não encolha, se atire Não se feche, arrepie Não gele, incendeie Não amarele, avermelhe Não trema, estremeça

Agência: Taterka Comunicações S.A.
Direção de Criação: Marcelo Lucato
Diretor: Rodrigo Lewcovickz
Fotógrafo: Marcelo Durst
Montagem: Wilson Fernandes
Finalização: TVC - Ricardo Nimtz/Thiago Siebra
Trilha Sonora: Banda Sonora
Produção: Equipe Banda Sonora


Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) Le quattro Stagioni

Le quattro Stagioni, L'inverno (Allegro non molto), Op. 8-4 in F minor RV 297


A principal característica da obra de Antonio Vivaldi é a sua própria personalidade: uma agitação, um furor, uma ânsia de compor raramente igualada em toda a história da música.
Sua obra-prima, certamente, é Le quattro stagioni (As quatro estações), composta por quatro concertos, cada um representando uma temporada. Cada um é feito em três movimentos, com um movimento lento entre dois rápidos. Foi publicada em Amsterdã em 1725, fazendo parte e abrindo uma série de 12 concertos, intitulados Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione (O diálogo entre a harmonia e a criatividade). Nessa série, se acentua a tendência ao sentido pitoresco que resulta na tentativa de se expressar, musicalmente, fenômenos da natureza ou sentimentos, como a primavera, o verão, o outono e o inverno retratados em As quatro estações. Um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi. Ele teve a precaução de prefaciar cada peça com um soneto descrevendo cada estação, e depois marcou os momentos apropriados correspondendo às palavras em cada concerto. O canto dos pássaros é descrito por alegres trinadinhos, o tremulo do violino marcando a aproximação do trovão, pizzicati descrevendo as gotas de chuva caindo.
“As Quatro Estações” é, acima de tudo, a celebração das múltiplas impressões de cada indivíduo ou coletivas das mudanças de estações, inspirando a evocação do universo inteiro de emoções associadas a elas e às transições climáticas e ontológicas envolvidas.
Na peça O Inverno, ele representa o rigoroso inverno do norte da Itália.
Vivaldi estava bastante consciente de sua inspiração e procurou descrever em música, o que ele pensava ser o frio arrepio na madrugada escura de um vento cruel. Descreve primeiro o frio e o batear de dentes, depois momentos calmos junto ao fogo e, enfim, a alegria temerária de deslizar no gelo quebradiço e ouvir o assobio dos ventos invernais.

L'inverno

Aggiacciato tremar trà nevi algenti
Al Severo Spirar d'orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;

Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggio fuor bagna ben cento;
Caminar Sopra'l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;

Gir forte Sdruzziolar, cader à terra,
Di nuovo ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch'il giaccio Si rompe, e Si disserra;

Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco, Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest'è 'l verno, mà tal, che gioja apporte.

O Inverno

Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.

Ficar ao fogo quieto e contente
Enquanto fora a chuva a tudo banha;
Caminhar sobre o gelo com passo lento
Pelo temor de cair neste intento.

Girar forte e escorregar e cair à terra;
De novo ir sobre o gelo e correr com vigor
Sem que ele se rompa ou quebre.

Sentir ao sair pela ferrada porta,
Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;
Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.


•Concerto No. 1 in E major, "La primavera" (Spring), RV 269.
•Concerto No. 2 in G minor, "L'estate" (Summer), RV 315.
•Concerto No. 3 in F major, "L'autunno" (Autumn), RV 293.
•Concerto No. 4 in F minor, "L'inverno" (Winter), RV 297.
•Concerto No. 5 in E-flat major, "La tempesta di mare" (The Sea Storm), RV 253.
•Concerto No. 6 in C major, "Il piacere" (Pleasure), RV 180.
•Concerto No. 7 in D minor, RV 242.
•Concerto No. 8 in G minor, RV 332.
•Concerto No. 9 in D minor, RV 236.
•Concerto No. 10 in B-flat major, "La caccia" (The Hunt), RV 362.
•Concerto No. 11 in D major, RV 210.
•Concerto No. 12 in C major, RV 178.

Concerto:
Um concerto é uma composição musical caracterizada por ter um ou mais de um instrumento solista com acompanhamento de um grupo maior, sobre o qual o solista se destaca. Originalmente, era uma forma com base em três movimentos, sendo o primeiro lento, o segundo de andamento moderado e o terceiro rápido. A forma de concerto mais difundida foi estabelecida por Antonio Vivaldi.
Opus:
É uma expressão do latim para designar trabalho (obra). O plural é opera. Com um número, na música, geralmente numerado pela ordem de publicação da obra.

Fonte:

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/15724-natura-traz-o-prazer-da-rotina-em-campanha-da-linha-tododia-verao.html

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/19239-campanha-da-natura-para-linha-tododia-inverno-sugere-virar-a-rotina-do-avesso.html

http://www.scribd.com/doc/21276366/O-CONCEITO-DE-MARCA-COMO-ESTRATEGIA-DE-MARKETING

http://www.scribd.com/doc/467721/Os-concertos-de-Vivaldi

http://estacoesmimesis.blogspot.com/2008/11/os-sonetos-de-vivaldi.html

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=925

http://www.sonetos.com.br/vivaldi.php

http://www.baroquemusic.org/vivaldiseasons.html

http://www.arnaldoantunes.com.br/

http://scf.natura.net/tododia

http://inkpot.com/

http://www.youtube.com/user/naturabemestarbem

http://www.youtube.com/user/CanalTaterka